Chamada | COMO RESISTIR NO MUNDO DE HOJE?



Estão abertas as inscrições para seleção de propostas para a EXPOSIÇÃO COLETIVA DE IDEIAS - COMO RESISTIR NO MUNDO DE HOJE? que integrará as atividades do Fórum Social Mundial 2018 em Salvador, Bahia.

Todas as submissões aceitas serão impressas em tons de cinza em formato A4 e coladas nas paredes e muros da Galeria Cañizares, o espaço expositivo da Universidade Federal da Bahia - UFBA
Para o encerramento da exposição, os trabalhos serão projetados em espaço(s) externo(s).




CRONOGRAMA
Inscrições: 05/02 - 28/02/2018, via formulário disponíve em: https://sites.google.com/view/bemcomum
Taxa de inscrição: Gratuita 
Divulgação do resultado da seleção: 12/03/2018 na página do evento

Premiação: Participação em publicação digital
Local: Galeria Cañizares, UFBA/Canela, Salvador
Data: 12 e 17 de março de 2018
Organização: Bem Comum, EBA-UFBA
Mais informação:


Se tiver dúvidas, entre em contato pelo e-mail: bemcomum@ufba.br

A alma infinita de tudo | Texto crítico


Totalmente lowbrow! Foi esta a palavra-chave que me veio à mente ao adentrar a Galeria ACBEU para visitar a exposição “A alma infinita de tudo” de Luiz Claudio Campos e José Henrique Barreto.
Logo na leitura do texto curatorial assinado por Viga Gordilho ganhei ali o ticket para o Teletransporter e assim fui enviada para o país do Surrealismo Pop com direito a passar por um Mercado de pulgas onde amuletos decorativos obsoletos ganham vida em cápsulas (refiro-me às molduras de vidro abaulado, onde parece guardar oxigênio).
O ar tem cheiro retrô e apesar das paredes brancas, a coleção beira o dark evocando o mistério dos brinquedos antigos quase empalhados numa alusão às sutilezas que pululam por entre a superfície sentimental, nostálgica e inocente do kitsch moderno.
Pensei imediatamente em Mark Ryden e Tara Mcpherson principais ícones deste movimento que certamente se identificariam com estas obras. E por falar em identificação, senti falta de descritivo técnico nas mesmas. Mas, seria também intencional este mistério?
No mais, é admirar o perfeccionismo sintético da expografia em sincronismo com o imaginário fantasioso que perpassa esta mostra inusitada e ao mesmo tempo oportuna no que cerne à memória e ao afeto.

Andrea May
Artista visual e curadora independente
01/02/18





PS: A mostra segue em cartaz até o próximo dia 23 de fevereiro com visitação de segunda a sexta das 14 às 20h e sábado das 16 às 20h na Galeria ACBEU no Corredor da Vitória.
A entrada é franca.


Texto poético | Ocupação Jardim

Quisera eu descrever um jardim...

Um jardim mora em nós ou m ora em nossas palavras? Recorro a etimologia e, ela me diz que jardim tem origem no radical garth, que vem de lá das línguas nórdicas e saxônicas, e significa "cintura ou cerca". 
Mas também pode derivar da palavra francesa jardin, cujo significado é "terreno cercado em que se cultivam flores”.

Certamente a etimologia é um caminho. Mas um caminho que não nos leva aos jardins que sonhamos percorrer. A rigor, não se devia dizer nada sobre as coisas, pois toda vez que se tenta dizer algo, a linguagem inaugura um discurso sobre elas, cria uma segunda natureza latente entre nós e as coisas. Então, é possível que, no limite, a distância entre nós e a experiência direta da natureza mesma de tudo, natureza viva e pulsante na sua duração, tenha aumentado de forma quase abissal, por conta de um enorme equívoco: tomar como as coisas o discurso sobre as coisas, ou seja, falar demais e viver de menos.
Os jardins são um tipo de experiência que não pode ser substituída por palavras. Os jardins são um convite ao passeio, à fruição, ao deleite sensual e sensorial de cores, cheiros, formas, texturas e silêncios, em meio a uma multiplicidade de apelos e portas de acessos que se abrem para temporalidades outras que não falam e nem definem nada. Os jardins só tocam ao sentimento, descansam a alma. Os jardins existem para evocar em nós as paisagens perdidas em nossa memória mítica e transcendental.
As artistas da Ocupação JARDIM, Neyde Lantyer, Daniela Steele, Dôra Araújo, Eneida Sanches, Stella Carrozzo e Andrea May, cada uma à sua maneira, nos reconectam com aquela utilíssima paisagem que fomos esquecendo pelo caminho, por estarmos distraídos ou aturdidos pelos ruídos que produzimos nesses tempos de tantas estranhezas e insensibilidade para com a Natureza e a natureza humana. 
Será que esquecemos de exercitar o cuidado diário? Será que matamos as flores e depois, paradoxalmente, as chamamos de sempre - vivas, regando jardins - cemitérios de flores mortas?

Estas seis mulheres artistas, colocam a jardinagem a serviço da arte (e vice - versa), para, ao proporcionar a fruição artística de jardins projetados para ocupar um lugar (em nós) entre a natureza e o discurso sobre a natureza, construir pontes por sobre o abismo que insiste em nos separar do mundo. Elas oferecem flores que cultivaram em incríveis jardins abertos a nossa visitação, como campos e espaços de um manifesto de pura arte contra a morte, a favor da delicadeza da vida, a nós mostrar (nunca a dizer): Eis aqui o mundo ressurgindo no seu ciclo vital, como deve ser, em solstícios e equinócios! Aqui estão as flores que não foram pisadas e, bem aqui, as plantas que restaram nos jardins arruinados pela nossa crescente desumanização...

Nadia Virginia B. Carneiro 
Poeta, fotógrafa e Profa. da Universidade do Estado da Bahia



PS: A mostra está na sua última semana de visitação. Visitem!